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Sexta, 21 de janeiro de 2022
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Coluna

Um passeio pela Avenida Demerval Lobão através das memórias de Sergio Emiliano

Relembre fatos e estabelecimentos que marcaram a rua do comércio em Campo Maior.

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Sérgio Emiliano, antigo funcionário dos correios e figura conhecidíssima e apreciada na capital dos carnaubais, exibe sua forte veia de escritor ao relatar de forma profunda e tocante os fatos que marcaram a trajetória da Avenida Demerval Lobão, assim como as suas memórias a respeito de estabelecimentos que já não estão mais em funcionamento e seus comerciantes que ficaram na memória de todos nós, campomaiorenses. 

O texto abaixo é uma indicação do professor Carlos Augusto, do ensino infantil do Patronato Nossa Senhora de Lourdes, e está publicado no blog Super Campo Maior, da professora Maria Luselene.

Todo campomaiorense deveria lê-lo. Portanto, segue-se o texto de Sergio Emiliano:

A avenida termina exatamente em cima dos trilhos da antiga linha férrea que ligava Parnaíba a Teresina, num quarteirão fronteiro ao colégio Marion Saraiva. Até hoje, conseguimos enxergar as últimas carnaúbas do Velame. Ela começa na Praça da Prefeitura, ligadinha na famosa rua Santo Antônio.

Eu nem precisei fechar os olhos para recuperar os detalhes desse cenário, pois a avenida não mudou muito. Ainda é praticamente a mesma de anos atrás, quando andava por ela em cima de uma bicicleta, arrastando um chinelo, ou calçando uma Conga azul-marinho. Comprava petecas no Seu Niuso, revistas na Rev Som e cadernos na Toinha da gráfica. Os brinquedos eu adquiria, ou só admirava, na loja do Seu Clóvis em frente a praça do Mercado. As mudanças mais sentidas foi o fechamento das Casas Pernambucanas, da Cobal, Gráfica Mendes e do Supermercado Paz, que atualmente se resume a um corredor com venda de produtos para a umbanda.

Seu nome foi uma homenagem dada pelo prefeito Oscar Castelo Branco Filho ao advogado campomaiorense Demerval Lobão Veras, que foi deputado federal em 1950 e faleceu num acidente de carro no dia 04 de setembro de 1958 durante campanha para o governo do Estado. Antes se chamava Avenida Marechal Deodoro da Fonseca segundo os registros da Prefeitura.

Andar pelas suas calçadas requer delicadeza e atenção. São todos os tipos de pisos, degraus, calçadas carcomidas, declives, buracos, fiação emaranhada, manequins nas portas das lojas e caixas de som. Daria minha vida para saber se essa poluição sonora faz o cliente entrar e comprar. Virou folclore esse barulho chato e brega.

No passeio central, suas várias carnaúbas não amenizam em nada a quentura dos meses tórridos e ainda é impossível andar: seja pela largura, seja pela altura do passeio.

Vagas para estacionar são inexistentes. O estacionamento do supermercado Carvalho é o que ainda quebra o galho de muita gente. Quem anda de moto tem a opção de cobrir o banco com papelão oferecidos pelos flanelinhas na altura da Caixa Econômica. Apesar de existir dois estacionamentos, a procura é pouca, a grana é curta.

Olhando do alto, numa espécie de vista aérea, parece que todas as ruas correm para a Demerval Lobão. É o princípio e o fim do centro de tudo, o palco das compras, das caminhadas políticas, das manifestações, das brigas de trânsito, dos assaltos, da alegria de comprar.

Sua numeração vai do número 1 (loja de calçados do Sr. Mamédio) até o número 1518, residência do filho do falecido Casaca.

Ao longo dos seus 700 metros, encontramos 12 farmácias. A primeira, no sentido de quem vai para a BR, fica em frente a praça da Prefeitura. É a recentíssima farmácia Dos Heróis. Depois vem a Campo Maior(do Netinho), farmácia do Trabalhador com suas vitaminas, Pague Menos, Extrafarma, Globo, Chico Leite, a do seu Kelson, Zero Hora(em frente ao mercado),Sao Judas Tadeu e por última, a outra Zero Hora, já na esquina da rodovia 343. Da professora Dona Maria Alice só ficou a saudade. 

São duas lotéricas eternamente lotadas, BNB, Caixa, Bradesco, uma financeira de empréstimo e o onipresente Armazém Paraíba que foi inaugurado em 15 de junho de 1981. São várias sapatarias, óticas, dois postos de combustíveis(o Campo Maior em frente a Prefeitura e o Garcia já na esquina da BR). Temos a ruína do que foi as Casas Marc Jacob, açougues, vendas de galetos, material para construção, peças para carros,óticas e perdida nesse caos, uma inacreditável livraria de nome Santa Bárbara. Quase ligado a ela, tem a loja do Sr. Chico Queiroz que não vende nada. Ele passa as manhãs sentado olhando o movimento ou puxando conversa com os transeuntes que passam apressados. Há um cabaré em cima da farmácia do Chico Leite. No período de pagamento as prostitutas assediam os aposentados, jogando charme, assobios, gargalhadas e promessas de muito prazer. Muitos sobem as escadas e não é raro a polícia aparecer de vez em quando. De longe se ouve o som do Cabral que sai das janelas. 

Já houve banco explodido por dinamite, batidas de carros e motos e carreatas de carnaval. O que eu nunca vi mesmo foi um desfile de sete de setembro e uma procissão de Santo Antônio. Nessa crise, é um abre e fecha de lojas sem parar. Roupas e calçados viraram uma praga e oportunismo de confecções vendidas quase no quilo. A do Chiquito segue invicta e o prédio novo ficou belíssimo. Comprar botões, agulhas e elástico é no Julinho, roupas para batizado e chambres é na Dona Helena, que desde 1981 revende o que é produzido no Ceará. Presentes para casamento e qualquer outra coisa é na Dona Pureza. Sua loja é uma das mais antigas em funcionamento. Foi inaugurada em 1973 e se mantém até hoje,sem nunca ter que dar desconto para ninguém. Tem a sapataria do Zé do Bombom com calçados de todas as épocas e modas. 

O Boticário mudou de lugar. O aroma dos seus perfumes se confunde com o cheiro de gasolina que vem do posto vizinho, que já foi assaltado várias vezes. O Bandeira, que vende material de construção abriu uma moderna loja depois do grande incêndio que destruiu tudo em outubro de 2017.

Quem quiser comprar passagens aéreas têm uma lojinha que faz tudo por você. Ela é minúscula, escura e fica ao lado da barbearia do Luís. Enquanto se corta o cabelo, fazemos apostas no jogo do bicho e se conversa sobre futebol.

Cada caminhada que faço pelas suas calçadas é um passeio afetivo por Campo Maior, onde enxergo diferentes tipos de pessoas, comerciantes e situações. A história da cidade passa ou já passou por ela. Resta saber em qual de nossas lembranças ela foi importante, em qual momento o tempo passou, fazendo a gente não esquecer dos que já morreram, dos que tiveram a ousadia de montar seus negócios, receber clientes, fazer o dinheiro circular, fazer a cidade crescer mais e mais.

 Sérgio Emiliano.

  P.S.

Comerciantes da Demerval Lobão que já faleceram.

Dona Severinha Milanês ( boutique)

Raimundo Lustosa de Melo (lojão que funcionou no local que é o Armazém Paraíba hoje, e que depois inaugurou nova loja em frente ao Domingos Bandeira)

Jaime da Paz ( tecidos)

Mario Frota (chapéus, facão, foice, corrente, cintos, cordas)

Seu Moisés (anzol, cera, náilon para rede de pescar, botão para jogo, pregos)

Joaquina ( farmácia)

Seu Vespa ( tecidos)

Seu Sales ( material de construção)

Sr. César/ Lúcia (material de construção)

Dona Maria Bandeira(armarinho ao lado da Miscelânea do Juninho)

Seu Antônio Pedro (farmácia)

Gilberto Mendes Farias (gráfica e papelaria)

Cláudio (rev. som)

Raimundinho Lustosa (material de construção)

Luís Bodão Lustosa ( móveis)

Dona Lurdinha Lustosa (armarinho de botoes, rendas, elásticos, etc…)

Seu Bandeira (casa das tintas)

Seu Monte (lanchonete e café Ideal em frente a Prefeitura).

Seu Chico Padi e esposa (quitanda)

Kasaka ( oficina de carros)

Ademar ( loja cheiro e charme)

Seu Maurício dos Correios (armarinho)

Zé Macambira

Sr. Antonio da Paz( fundador do Supermercado Paz)

Obrigado a todos,

Sérgio Emiliano.

Natal/2018

 

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